• Giovanna Ghirardello

Agatha Christie: 129 anos de mistérios

Neste último domingo (15/09), celebrou-se o 129º aniverśario da Rainha do Crime, Agatha Christie! A fim de comemorar esta data célebre e prestigiar a grande escritora, seguem algumas indicações de leitura para o pessoal do Fund. II e do Ensino Médio. Aproveitem!


Para começar a conversa, posso afirmar que as obras da escritora inglesa marcaram a minha vida, em especial Os crimes ABC. Lembro como se fosse hoje da Bienal do livro de São Paulo de 2010, minha primeira Bienal, meu primeiro livro da escritora. Lá, eu comprei essa obra e a li em um dia, simplesmente não conseguia parar! É um daqueles livros que nos prendem do início ao fim, principalmente devido à genialidade do ilustre protagonista da obra, Hercule Poirot, um pequeno detetive particular belga, que utiliza da sua massa cinzenta para desvendar os crimes. Ele possui um ego inflado, uma genialidade sem tamanho e a capacidade de resolver os mais diversos mistérios fazendo uso da psicologia.



O assassino dessa obra troca correspondências com o detetive belga, subestimando suas habilidades e dando dicas sobre os próximos crimes. Ele se utiliza de um critério rigoroso para escolher suas vítimas: segue a ordem alfabética - elas precisam ter nome e sobrenome com a mesma letra inicial e morar em uma cidade cujo nome, também, se inicia com a mesma letra. A primeira vítima é Alice Ascher, de Andover. A narrativa segue de forma intensa com a troca de correspondências, muitos mistérios e um desfecho surpreendente.


Agatha Mary Clarissa Miller nasceu em Torquay na Inglaterra em 15 de setembro de 1890, filha de um americano e uma inglesa tipicamente vitorianos. Estudou em casa com professores particulares e se dedicou, por pressão dos pais, às aulas de canto e piano, já que eles queriam que a filha seguisse a carreira de cantora lírica e pianista. Porém, a pequena Agatha preferia passar seu tempo escrevendo contos e poemas.


A Dama do Crime casou-se, em 1914, com o coronel inglês Archibald Christie, de quem adotou o sobrenome que utilizou por toda a vida. Divorciou-se 12 anos depois e do matrimônio nasceu sua única filha, Rosalind.


Sua primeira obra, O misterioso caso de Styles, foi escrita devido a um desafio lançado por sua irmã, que afirmava que Agatha não era capaz de escrever uma trama policial. A obra foi lançada em 1920 e é nesse livro que aparece pela primeira vez o personagem Hercule Poirot, de quem falamos no começo deste texto. Ele aparece em outras trinta e duas histórias dela e é o principal detetive de suas obras.

Christie se casou novamente em 1930 com o arqueólogo Max Mallowan, com quem fez diversas viagens pelo Oriente Médio, nas quais encontrou inspiração para as obras Assassinato no Expresso do Oriente, Morte na Mesopotâmia, Morte no Nilo e Aventura em Bagdá.



Os livros da autora possuem diversos detetives: além de Hercule Poirot, Miss Jane Marple, personagem inspirada na avó de Agatha, é uma idosa que utiliza do seu conhecimento sobre o comportamento humano para desvendar os crimes e apareceu no livro O assassinato na casa do pastor e em outros onze título. Tommy e Tuppence, que figuram em cinco livros da autora, se casaram no final de O inimigo secreto (uma curiosidade sobre o casal é que eles envelhecem de um livro para o outro). O detetive Parker Pyne, que protagoniza dois livros da autora, é um aposentado do governo que tem como interesse a felicidade alheia, tanto que, nos seus anúncios em jornais, ele pergunta: “Você é feliz? Se não for, procure Mr. Parker Pyne, no nº. 17 da rua Richmond”. Ariadne Oliver, escritora de romances policiais, aparece como uma amiga do detetive Parker Pyne e ressurge em seis romances com o próprio Poirot. Suas características marcantes são a paixão por maçãs, seus cabelos rebeldes e um profundo descontentamento com a Scotland Yard, já que ela tem certeza de que o lugar seria melhor se fosse gerido por uma mulher. Há quem diga que a personagem Ariadne reflete muito a personalidade de Agatha Christie.


Agatha está no Guinness Book of World Records como a autora que mais vendeu livros no mundo: já foram mais de 4 bilhões de cópias em 103 idiomas e os royalties (consiste em uma quantia que é paga por alguém ao proprietário pelo direito de usar, explorar ou comercializar uma obra) gerados pelas obras são de US$ 4 milhões por ano. Outro recorde da autora é o do maior livro do mundo, com o título The Complete Miss Marple, medindo mais de 30 cm, com 4032 páginas nas quais estão doze romances e vinte contos protagonizados por Miss Marple.


Em relação às adaptações de suas obras para a televisão e para o cinema, temos: a série britânica de ficção científica Doctor Who que, em um episódio da quarta temporada, utiliza diversos elementos de vários livros da Agatha Christie, como Morte nas nuvens, Um corpo na biblioteca e Assassinato na casa do pastor. Esse episódio teve a maior audiência de toda a temporada. Partners in Crime, livro de contos, virou uma série para a televisão em 1984 e tinha como protagonistas personagens inspirados em Tommy e Tuppence. A detetive Miss Marple também já apareceu nas telas com o filme Dead Man’s Foilly. Hercule Poirot, o principal detetive da obra de Agatha, não ficou de fora e teve uma série, Agatha Christie’s Poirot, baseada nos contos e romances protagonizados por ele. E também, recentemente, em 2017, foi lançado o filme Assassinato no Expresso do Oriente, que conta com o grande ator Johnny Depp. O filme é baseado na obra de mesmo nome, que é uma de suas principais contribuições para o mundo dos romances policiais. O trailer do filme é este aqui:




A grande Dama do Crime morreu aos 85 anos na cidade de Wallingford, também na Inglaterra, em 12 de janeiro de 1976. Com mais de 50 anos de carreira, escreveu oitenta romances e contos, além de doze peças teatrais e seis romances românticos, que escreveu com o pseudônimo de Mary Westmacott.


Curiosidades sobre Agatha Christie:

  1. Ela viajava muito e, na década de 1920, deu a volta ao mundo com o marido e até chegou a surfar na África e em Honolulu, como descreve em sua autobiografia.

  2. Entre 1914 e 1918, Agatha trabalhou como farmacêutica, quando adquiriu grande conhecimento sobre fórmulas químicas, o que ela utilizou muito em suas obras.

  3. Durante a 2ª Guerra Mundial, Agatha ficou com medo de morrer. Por isso, escreveu os livros Cai o pano e Um crime adormecido, nos quais, respectivamente, mata os personagens Hercule Poirot e Miss Marple para que não fossem usados após sua morte. Os livros ficaram guardados no cofre de um banco durante anos.

  4. Em 3 de agosto de 1975, o jornal The New York Times publicou o obituário de Hercule Poirot na primeira página. Foi o primeiro obituário de um personagem de ficção publicado no jornal.

  5. Agatha Christie informou que as duas coisas que mais a empolgaram na vida foram: ter seu próprio carro e jantar com a rainha da Inglaterra no Buckingham Palace.

  6. A escritora britânica foi condecorada pela rainha Elizabeth II, em 1971.

  7. O primeiro livro com o pseudônimo de Mary Westmacott foi escrito em apenas três dias.

  8. Christie tinha a mania de comer maçãs na banheira e de colecionar macaquinhos de pelúcia.

  9. Ela também gostava de nadar em mar aberto, mesmo em dias de tempestade.


Livros disponíveis aqui no Colégio:

Um brinde de cianureto

A morte no Nilo (também disponível em inglês)

E no final a morte

Os elefantes não esquecem

O mistério do trem azul

Punição para a inocência

A aventura do pudim de natal

A casa torta

A maldição do espelho

Um destino ignorado

Seguindo a correnteza

O caso do Hotel Bertram

Aventura em Bagdá

Passageiro para Frankfurt

Mistério no Caribe

Treze à mesa

O assassinato de Roger Ackroyd

Encontro com a morte

Um corpo na biblioteca

Assassinato no Expresso do Oriente

Autobiografia

Referências

CHRISTIE, Agatha. Autobiografia. Porto Alegre: L&PM, 2017.

L&PM editores. Agatha Christie: Curiosidades. Disponível em: <https://www.lpm-agathachristie.com.br/site/default.asp?TroncoID=919170&SecaoID=0&SubsecaoID=0>. Acesso em: 02 de set. de 2019.

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