• Dayan Marchini

Mulheres na Literatura: um espaço que também é direito

08 de março é uma data muito emblemática: ao mesmo tempo que é um dia de celebrarmos a potência da mulher, é um dia de muita reflexão sobre o papel que ela desempenha na sociedade. No texto de hoje, convidamos você leitor, a repensar a mulher na literatura. Quantas mulheres você já leu? Bora descobrir mulheres e autoras incríveis?


Quando pensamos em Literatura, logo lembramos de inúmeros escritores, como Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Jorge Amado; autores que cumpriram com imensa eficiência sua função na escrita. Há alguns anos, poderia ser comum lembrar apenas desses autores, mas por sorte, essa não é mais a realidade. Muitas autoras como, Cecília Meireles, Ruth Rocha, Conceição Evaristo, Cora Coralina, Clarice Lispector, Adélia Prado, Hilda Hilst, Rachel de Queiroz, Ana Cristina César, Carolina Maria de Jesus e tantas outras.


Acontece que, por muito tempo, a figura feminina na Literatura foi representada apenas como uma personagem do eu lírico masculino. A mulher pura e bela da qual o autor se referia apaixonado, muito comum nas chamadas “Cantigas de Amor” do Trovadorismo, enfatizando o sentimento cortês, na maioria das vezes não correspondido. Havia também as “Cantigas de Amigo”, que possuíam a voz feminina falando de seu amor, esses referidos como "amigos", porém, ainda escritas por homens.


Até o século 18, quando a noção de autoria de um livro não era tão importante, muitas mulheres aderiram ao uso de pseudônimo para que suas obras pudessem ser publicadas, já que qualquer função que saísse dos afazeres do lar era mal vista pela família e sociedade. As irmãs Brontë, por exemplo, famosas por “O Morro dos Ventos Uivantes” escondiam sua identidade sob o pseudônimo de Irmãos Bell, para que não fossem alvo do preconceito da época. Foi só a partir do século 19 que a escrita se tornou uma atividade remunerada, tornando mais difícil manter o anonimato, e você já pode imaginar o quanto isso pesou para as mulheres.


Embora dados do IBGE revelem que mais de 50% do público leitor brasileiro seja feminino, infelizmente, as mulheres não são as mais lançadas no mercado editorial. Os obstáculos são recorrentes, principalmente porque os cargos que influenciam a decisão de publicação são ocupados, em sua maioria, por homens. Segundo Maria do Rosário Pereira, professora CEFET- MG e da Universidade Federal de Viçosa, que faz parte de um grupo de pesquisas sobre a presença de mulheres na edição, as mulheres sempre estiveram presentes no mercado editorial como revisoras, preparadoras, tradutoras, mas não à frente das decisões e dos negócios de modo geral.


Outra prova do pouco reconhecimento feminino é que, analisando a “Academia Brasileira de Letras”, dos 40 membros que ocupam uma cadeira, apenas 4 são mulheres. Todavia, não se pode negar que a Literatura, assim como os outros campos da arte, acompanhou o processo de evolução do tempo, e as mulheres conquistaram e (ainda conquistam) seus espaços. Coletivos femininos e iniciativas através de hashtags e clubes de leitura potencializam a importância e o papel das escritoras no meio literário.


Aqui no Colégio, a maioria dos cargos de liderança são ocupados por mulheres, desde a inspetoria até as coordenações de segmentos, e também a biblioteca. E, embora pareça que o ambiente educacional seja mais ocupado por mulheres, vale lembrar que os espaços de liderança em nossa sociedade costumavam ser dominados apenas por homens. A presença feminina em maior volume em empresas, instituições, campos de pesquisa etc., mostra que avançamos significativamente, ainda que não o suficiente; há previsão para as futuras gerações de que mais mulheres ocupem esses cargos. De toda forma, vale a reflexão para nosso cotidiano referente a atitudes que podemos construir para um ambiente mais democrático e inclusivo.


Aliás, quantas mulheres você leu do último ano pra cá? Que tal aproveitar para conhecer o trabalho das autoras que citei lá no início do texto e, até mesmo, incentivar aquela amiga que está começando a escrever? Ou ainda, quem sabe, comprar daquela que já publicou? Veja algumas indicações:

  • Lina e o balão, de Komako Sakai;

  • A pequena Lana, de Silvana Rando;

  • Eu sou a monstra, de Hilda Hilst;

  • Puffy & Brunilda, de Barbara Cantini;

  • Diário de Pilar na Índia, de Flávia Lins e Silva;

  • Oli procura uma (nova) melhor amiga, de Janaína Tokitaka;

  • Heroínas negras brasileiras, de Jarid Arraes;

  • Querida Kitty, de Anne Frank;

  • Minha História: para jovens leitores, Michelle Obama;

  • Caderno de memorias coloniais, Isabela Figueiredo;

  • Bordados, Marjane Satrapi;

  • Estórias da casa velha da Ponte, Cora Coraline;

  • As Meninas, Lygia Fagundes Telles.

Você pode conferir mais informações sobre os livros indicados no nosso Instagram: @colegiouirapuruoficial

Mais do que um feliz dia das mulheres, que possamos dar as mãos e viver sem medo de escrever nossa própria história no livro que escolhemos para nós. Só assim a felicidade será genuína e não clandestina.


Conceição Evaristo, Clarice Lispector e Hilda Hilst: três grandes autoras brasileiras.

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