• Dalila Queiroz

A importância da contação de histórias

O contar histórias está presente na vida dos seres humanos desde os primórdios da linguagem. Por muito tempo, usamos diversos recursos para facilitar a contação de história e estreitar os laços entre contador e ouvinte. Não é à toa que foi determinado uma data especialmente para celebrar o profissional que conta histórias. A data surgiu na Suécia, em 1991 e se espalhou pelo mundo, no intuito de celebrar a tradição oral das contações de histórias e suas repercussões na vida de quem as ouve.


Em 20 de Março foi celebrado o dia do contador de histórias e não poderíamos deixar de escrever sobre, porque o ato de contar está muito presente em nossas vidas: estamos sempre contando histórias ou ouvindo-as, sejam sobre nossas famílias, nossa infância, memórias que guardamos ou um texto que escolhemos ler e representar.


Considerada uma das mais antigas formas de transmissão de valores, de cultura e uma forma de ação educativa, o ato de contar histórias proporciona aos ouvintes conhecimento de si próprio e de mundo, uma vez que elas beneficiam o desenvolvimento socioemocional e cognitivo. Ao ouvir uma boa contação, além do resgate de memórias afetivas, como as que ouvimos sobre na nossa infância ou aquela que nossos avós nos contavam, ela colabora para que encontremos meios para lidar com situações, conflitos e emoções; nos ajudando a associar as histórias contadas com nossas próprias vivências.


A Educação Infantil é uma importante fase para se trabalhar com a contação de história, pois é quando a criança tem maior interesse e começa a interagir socialmente. Ela como recurso de aprendizagem e comunicação, despertando a imaginação, a criatividade e as emoções. Por isso, muitas pessoas associam a contação de histórias como algo exclusivo para crianças, mas ela não se restringe a essa faixa etária e é benéfica para crianças, jovens e adultos.

O grupo de leitura pública, “Ler é uma Viagem” realiza contações de histórias de diversas formas, mas o mais interessante é que a maioria do público é formado por adultos. Inclusive, eles recepcionaram os professores aqui no Colégio, no início deste ano, com uma contação de Dom Quixote, através de cartas e pequenos trechos da obra. Você pode ler mais sobre este evento aqui.


Você leitor já deve saber que, aqui no Colégio Uirapuru, contamos muitas histórias e adoramos fazê-lo. Sabe por quê? Acreditamos na importância deste procedimento para o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança e também, porque ver os olhinhos brilharem e o sorriso no rosto dessas crianças é simplesmente incrível. Uma história tem o poder de deixar marcas inesquecíveis nos seus ouvintes.


Para se tornar um bom contador você só precisa ter disposição! Não se preocupe com julgamentos ou tenha medo de errar, ao longo do processo você vai conhecendo seu público, observando-o e interagindo, fazendo a contação acontecer com mais tranquilidade.


Você deve estar preparado para novas aventuras e deixar a imaginação fluir, isso é essencial para executar bem a tarefa. Além dessas dicas, que julgo serem essenciais, separei outras que te ajudarão na hora de contar suas histórias:

  • A escolha do livro é de muita importância: fique atento se a história escolhida é adequada à idade da criança e faça a leitura do livro antes.

  • A entonação da voz e o uso dos gestos para transmitir emoção na hora de contar a história são essenciais, pois ela ganha vida e o ouvinte percebe diferentes funções da linguagem e dos sons em momentos de tensão, medo, perigo, felicidade e etc.

  • Se for utilizar objetos para representar, lembre-se de ler bem a história antes para não se esquecer de nada; essa técnica é uma ótima forma para brincar com as características físicas dos personagens, de usar e abusar de cores, formas e tamanhos.

  • Além dos livros com textos, faça a leitura de livros de imagens: mostre as imagens e convide os ouvintes para participarem da história e peça para continuá-la. É uma ótima forma de exercitar a criatividade, a atenção e a imaginação das crianças.


Agora que você já sabe um pouquinho sobre como se preparar para contar histórias, trouxe algumas indicações de livros maravilhosos.


Esses três livros: O lenço, A garrafa e O jornal, são da autora Patricia Auerbach, são livros de imagem que trazem a narrativa sobre descobertas e possibilidades, onde simples objetos do cotidiano se transformam em algo divertido e capaz de trazer tanta felicidade e estímulo à imaginação e a criatividade.


Esses são livros que não conseguimos só ler como uma leitura qualquer, você precisará usar e abusar da entonação vocal para dar mais vida e emoção às histórias. Com certeza as crianças irão mergulhar em um mundo fantástico que deixará lembranças inesquecíveis: Use a imaginação, de Nicola O'Byrne, Monstro não me coma, de Carl Norac e Este livro comeu o meu cão!, de Richard Byrne.



Se depois de tudo que você leu até aqui, você quiser se aprofundar na arte de contar histórias, temos dois livros maravilhosos para te indicar. São eles: o livro Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias escrito por Celso Sisto e o livro A arte de narrar histórias escrito por Elaine Gomes. Ambos escritos por contadores de histórias e que abordam os significados da contação de histórias, trazem estudos da sua origem, sua importância como instrumento de aprendizagem e transmissão de cultura. Também ensina sobre recursos que podem ser utilizados na hora de contar histórias e muitas outras dicas e reflexões.


Referências:

GOMES, Elaine. A arte de narrar histórias. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2018.


SISTO, Celso. Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias. 3 ed. Belo Horizonte: Aletria, 2012.


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