• Giulia Yokomizo Girardi

No Dia Internacional da Mulher, a resistência de Chimamanda Ngozi Adichie



8 de Março é dia de celebrar a força, a resistência e o poder das mulheres. Lançada em 2014, a música ***Flawless, da Beyoncé, é considerada — ao lado de Run the world (Girls) e Formation — um dos maiores hinos feministas da atualidade, com a diferença de que esse hit conta com um trecho do mundialmente conhecido discurso de Chimamanda Ngozi Adichie (dá para ver o trecho no vídeo que abre o post!). Chimamanda, nossa homenageada do dia, é um nome em ascensão da literatura contemporânea e dos ativismos pelos direitos das mulheres e da comunidade negra.

Em 2013, Adichie foi convidada para discursar na conferência do TEDx Euston – Inspiring Ideas about Africa (ideias inspiradoras sobre a África), palestra cujo número de visualizações no Youtube ultrapassa 4 milhões e pode ser vista aqui (dá para ativar as legendas em português do Brasil). A repercussão foi tamanha, que a própria Beyoncé a convidou para participar de sua música, além do discurso ter sido transformado num dos primeiros livros de ensaio da autora: Sejamos todos feministas.

Chimamanda Ngozi Adichie nasceu em 1977, na cidade de Enugu, Nigéria, e sua obra — escrita originalmente em inglês — foi traduzida para mais de 30 línguas ao redor do mundo. No Brasil, a publicação é da Companhia das Letras. Além dos ensaios Sejamos todos feministas e Para educar crianças feministas (os dois estão disponíveis na nossa biblioteca), ela também escreveu romances consagrados, como o best-seller vencedor do National Book Critics Circle Award, Americanah (que também está na biblioteca!), e Meio sol amarelo — responsável pelo primeiro Orange Prize de Chimamanda e por sua estreia no cinema, com uma adaptação de mesmo nome em 2013. Sua obra mais recente é o livro No seu pescoço, publicado em 2017, uma reunião de 12 contos que retratam uma pluralidade de realidades, cujo foco principal é a figura do nigeriano em contato com outras culturas, principalmente a americana.

Guerras, máscaras sociais, homossexualidade, casamento, violência e o encontro com o outro são temas presentes no livro, porém, o assunto que permeia todos os doze contos é a mulher. O conto “Jumping Monkey Hill” é um dos mais notáveis no que tange a essa temática. Ujunwa Ogundu é uma escritora nigeriana selecionada para participar de um workshop para escritores africanos na Cidade do Cabo. O líder do worksop, Edward Campbell, é um pesquisador europeu de literatura africana que acredita saber mais sobre a África do que os próprios africanos.

Edward insiste em assediar Ujunwa e até insinua para ela na frente de todos. Diante dessa situação, Ujunwa Ogundu sente aversão de si mesma, seguida de raiva do homem e de todos os outros participantes, ao mesmo tempo em que precisa escrever seu conto, a tarefa final do workshop.

Assim, enquanto a autora Ujunwa sofre investidas de Edward, estabelece-se outro plano narrativo: o do conto escrito por ela. Nele, a personagem Chioma é assediada por um cliente do banco onde trabalha. Os dois planos são permeados por outras situações em que o machismo fica evidente, muitas vezes aliado ao racismo.

Como forma de expressão da situação a que está submetida todos os dias, Ujunwa retrata em sua história a figura da mulher assediada, que posteriormente descobre-se que foi baseada na sua própria história. Quando o conto é apresentado, a reação de Edward é a de tentar minimizar situação: “Nunca é exatamente assim na vida real, não é? As mulheres nunca são vítimas dessa maneira tão grosseira, e certamente não na Nigéria. A Nigéria tem mulheres em posições de poder. A ministra mais importante do gabinete é mulher” (p. 123). Diante disso, Ujunwa se levanta e gargalha, retirando-se e não tolerando o insulto. Como deu para ver, a literatura de Chimamanda Ngozi Adichie joga luz sobre diversas situações sofridas pelas mulheres, reafirmando a importância de que elas venham à tona e sejam debatidas.

Bom, por hoje é só, pessoal!

Feliz Dia Internacional da Mulher para todas as mulheres, que são grandes heroínas, para vocês, que leem nosso Blog e acreditam no poder transformador da literatura <3


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