• Gabi Traversim e Day Marchini

Um país se faz com homens e livros

Monteiro Lobato foi uma peça importante para a literatura brasileira, sobretudo a literatura infantil. Através de suas obras, muitas crianças puderam se aventurar no Sítio de Dona Benta, acompanhando Emília, Narizinho, Visconde e Pedrinho nas mais diversas peripécias. As obras continuam encantando jovens e crianças até hoje, com narrativas da infância interiorana brasileira. Este ano, comemora-se 140 anos do nascimento de Monteiro Lobato e a data também foi escolhida como dia Nacional da Literatura Infantil. Aqui no Colégio, os livros são lidos ao longo do ano letivo e constituem parte importante da formação leitora de nossos alunos.


Em 18 de abril é comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil, data escolhida por celebrar o nascimento de Monteiro Lobato, considerado o pai da literatura infantil brasileira. Compondo o Pré-Modernismo, suas obras dialogam com o cotidiano na vida rural, as delícias e descobertas da infância e a valorização do folclore brasileiro.

Famoso pela obra “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, que compõe 23 volumes, o autor destaca-se nos gêneros conto e fábula. Seus personagens marcaram diversas gerações, ganhando inclusive, notoriedade internacional, além de se transformarem em seriado de TV, aparecendo pela primeira vez na década de 60.

Alcançando tantos admiradores, Lobato também ganhou espaço no coração e nas prateleiras do nosso diretor, Prof. Arthur Fonseca Filho que, assim como muitas pessoas, conheceu o autor ainda criança. Portanto, não poderíamos deixar de convidá-lo para contar um pouco de sua relação com o autor, que como sabemos, tem lugar de importância para a literatura infantil nacional. Em uma entrevista leve, Prof. Arthur responde sobre seus livros favoritos, conta sobre seu primeiro contato com Monteiro, além de opinar sobre o valor da leitura na construção social, e você pode conferir logo abaixo:


Gabriela: Qual foi seu primeiro contato com Monteiro Lobato?


Arthur: Minha relação afetiva com Monteiro Lobato tem 64 anos. Eu o li efetivamente quando tinha 9 anos, porque fiquei com uma doença que eu não podia sair de casa, Nefrite, então eu li a coleção inteira, incluindo Urupês, que talvez não fosse o mais adequado pra idade.


Gabriela: Sua imersão na obra de Monteiro aconteceu em um período delicado em sua vida. O senhor acredita que a literatura tem poder transformador diante do cotidiano?


Arthur: Sem dúvida! Não só a literatura, mas a leitura tem um poder transformador. Sem leitura não há transformação do ponto de vista de crescimento intelectual, logo, fundamental. É claro que há controvérsias em relação às questões de preconceito, mas entendo também que ele tem um papel relevante para literatura nacional. É preciso analisar o contexto da época e seu sentido.


Gabriela: Lobato foi precursor de algumas ideias muito interessantes no mundo editorial. Ele dizia que "livro é sobremesa: tem que ser posto debaixo do nariz do freguês". Com isso, passou a tratar os livros como produtos de consumo, com capas coloridas e atraentes. Como o senhor acredita que é possível atrair as crianças para o caminho da leitura de forma que elas sintam realmente interesse em abrir um livro?


Arthur: Eu acho que essa é uma função essencial da escola. Pode vir da família? Pode, mas é absolutamente necessário e obrigatório que a escola faça isso. A forma com que fará tem que se encontrar com cada um de seus alunos e em cada um dos momentos da infância.


Gabriela: Além de pedagogo, o senhor também é formado em Direito, assim como o autor. Esta escolha tem alguma influência?


Arthur: Não. Foi uma questão familiar mesmo. E depois fui fazer pedagogia pelo fato do meu pai ser educador também.


Gabriela: Urupês e Sítio do Pica-Pau Amarelo são os seus livros favoritos. Por quê? As histórias te trazem alguma lembrança ou até mesmo familiaridade?


Arthur: Urupês é um capítulo à parte na obra de Monteiro, que, aliás, deixou um registro interessante na Literatura Brasileira, não especificamente na Infantil. Foi algo que me marcou por ser uma obra de característica diferente de todas as outras dele. E Sítio do Pica-Pau Amarelo porque é a obra que ambienta a obra de Lobato, sua obra-prima.


Gabriela: Lobato flertava com a crítica aos hábitos brasileiros de copiar e supervalorizar modelos estrangeiros. Como o senhor vê a importância da preservação da cultura nacional?


Arthur: Mais do que nunca, isso é muito importante, principalmente porque depois de Monteiro Lobato, já se consagrou uma Literatura Brasileira, tendo em vista que antes disso, todas as obras em cursos, faculdades, eram todas em língua estrangeira. Então essa vinculação do internacional passou a ser um pouco menos notória.


Gabriela: Para finalizar, qual a importância do contato com a leitura desde a infância e que diferença isso faz para o adulto no futuro?


Arthur: A leitura é absolutamente necessária para o cidadão crescer, ser reconhecido, ter acesso ao mundo criativo, inventivo, sair do seu próprio mundo e aprender a entrar no mundo da fantasia e também do autor. Isso é realmente muito importante.

Caso tenha interesse em conhecer mais da obra de Monteiro Lobato, nossa biblioteca está disponível através do catálogo virtual de livros. Deixaremos também, uma lista de indicação com seus escritos de destaque, confira:

  • Urupês, 1918

  • O Saci, 1921

  • Narizinho Arrebitado,1921

  • Fábulas, 1922

  • O Marquês de Rabicó, 1922

  • As Aventuras de Hans Staden, 1927

  • Peter Pan,1930

  • Reinações de Narizinho,1931

  • Caçadas de Pedrinho, 1933

  • Emília no País da Gramática, 1934

  • Geografia de Dona Benta, 1935

  • Dom Quixote das Crianças, 1936

  • Histórias de Tia Nastácia, 1937

  • O Poço do Visconde, 1937

  • O Pica-Pau Amarelo, 1939

Algumas das obras escritas por Monteiro Lobato disponíveis na Biblioteca do Colégio Uirapuru.


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