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  • Foto do escritorGabriela Traversim

Sob o olhar dos estudantes: o que eles acham da leitura e dos livros - parte 2

Nesta segunda parte da entrevista, conversamos com a Maria Luíza Freitas, Malu para os mais próximos, também da 2ª série do Ensino Médio. Ela contou sobre seus livros favoritos, como começou a ler e o que considera mais importante na hora de construir o repertório leitor, encerrando este ciclo de entrevistas da “Jornada Literária”.


  • Como começou seu contato com a leitura? Você se lembra do primeiro livro que leu?

A minha mãe sempre foi uma leitora muito ávida, assim de ler diversos livros desde a infância. Ela leu “O Capital” com uns 13 ou 14 anos e fala disso até hoje para mim. Ela me apresentou quase tudo o que eu sei sobre a leitura, sobre ser uma leitora... Desde criança, ela lia pra eu dormir. Ela me deu um livro. O livro que mais marcou a minha infância. Acho que não foi primeiro, mas foi o que eu mais li na infância: “Vai embora grande monstro verde”, que é um livro que eu sou apaixonada, por mais que tenha muitas imagens ele é muito incrível para crianças. Então eu tenho esse contato desde muito cedo e acho que outro que marcou foi um de uma fada, mas que eu esqueci o nome agora. Era a fada que pensava, alguma coisa assim. Era muito bonitinho, mas eu acho que esses foram os livros mais marcantes da minha infância. E “O pequeno princípe”! Foram os que mais marcaram a minha infância.

  • Qual seu gênero literário favorito?

Eu sou apaixonada por Romance. Eu sou uma pessoa muito romântica, então eu estou sempre em busca de um romance fofinho, clichê às vezes, mas eu gosto muito de tudo que tem um pouquinho de romance, mas eu também gosto muito de Mistério, Terror e… acho que é isso! Romance, Terror e Mistério. E Fantasia! Gosto muito de Fantasia.

  • Já começou algum livro e não terminou? Por quê?

Vários! Quem não? Mas eu acho que se eu for falar de um em específico, eu diria “Tartarugas até lá embaixo”, do John Green. Me deu muito gatilho. Eu cheguei numa parte específica do livro que eu me identifiquei muito e chorei e eu não consegui continuar a ler. Eu parei no meio e falei “depois eu leio” e até hoje eu ainda não voltei a ler, mas está lá na minha casa na página em que eu parei. Eu tinha uns 13 anos, acho, mas eu não continuei. Esse foi muito específico.

  • O que é importante para você na escolha de um livro? Ou seja, o que te chama atenção em uma obra?

Eu posso falar que é uma coisa muito do meu momento, eu sou uma pessoa muito… eu não digo instável, mas eu sou muito sensível. Então, por exemplo, eu estava para ler o livro que a Lívia ia me emprestar e então eu vi “Hipótese do amor” na biblioteca e eu falei: não, eu vou ler esse aqui agora. Emprestei o livro e aí eu olhei aqui na biblioteca uma exposição que dizia assim “Não lembro o título, mas a capa era verde” e apareceu “Os sete maridos de Evelyn Hugo” e eu falei: vou ler! E emprestei também (risos). E eu estou lá em casa com o “Como as democracias morrem” e eu ainda estou pra ler o livro que a Lívia tá pra me emprestar, mas é muito uma coisa do momento. A hora que eu falar “eu quero ler”, eu vou lá e leio. Às vezes é alguma coisa mais pragmática, tipo, quero ler um livro para aprender sobre isso. Ai eu pego para aprender algo, mas é muito mais uma questão de sentimento mesmo.

  • Você tem um escritor ou escritora favorito (a)?

Eu sei que a minha mãe também me ajudou muito a começar a ler com Pedro Bandeira, eu acho que isso marca muitos leitores. Minha mãe falou que eu tinha que ler “A droga da obediência", porque eu estava muito rebelde das ideias. E eu li e eu não lembro muito, mas me tocou bastante e foi um livro que eu li assim, devorando, e eu achei muito bom. Mas um que me pegou também, que eu li bastante e que eu acho muito legal é “A marca de uma lágrima”. Minha mãe tinha em casa também. Todos da minha mãe, praticamente. Então eu acho que o Pedro Bandeira me marcou bastante. A Lívia me apresentou a Paula Pimenta e me marcou muito o livro “Fazendo meu filme” e agora eu estou apaixonada, acho que no momento a minha autora favorita é a Ali Hazelwood, que é a que escreveu o livro “Hipótese do Amor”. Falam que ela escreve todos os livros iguaizinhos, só que tá tudo bem, esse estilo eu estou apaixonada.

  • Na sua opinião, qual o papel do ambiente escolar na formação leitora? Você sentiu que a escola exerceu alguma influência na sua formação leitora?

Eu me inspiro, muitas vezes durante a aula de líderes e vou atrás de uma leitura mais acadêmica. Essa questão da escola, de livros para vestibular ou livros que são obrigatórios, me ajudaram também. Tem muitos livros que eu comecei, da escola, e não terminei, mas que eu li boa parte e me inspiraram muito. “Dois irmãos” eu gostei muito. “O menino do espelho”, foi um livro que nossa… é muito bonito. Tiveram alguns na verdade… E agora, “Quincas Borba” que eu estava lendo, que é do Machado de Assis e que eu acho que o foi o primeiro livro do Machado de Assis que eu li , então assim, super importante e se eu for falar fora da parte acadêmica. Na verdade, a biblioteca é parte acadêmica também, mas me inspira muito, de verdade. Tem vezes que eu só fico andando por aqui, olhando os livros, olhando a capa, olhando o título, tudo isso me ajuda muito. E às vezes eu vejo gente lendo e isso também me ajuda muito, eu acho muito importante. Às vezes, até no tiktok, aqueles famosos “BookTok”, me inspiram também. Eu pego alguns livros dali. Mas a biblioteca me ajuda muito! Acho que na escola, as pessoas influenciam muito: o espaço, porque às vezes o espaço escolar me dá inspiração para ler. É isso, os professores, vocês: as bibliotecárias, as pessoas, os alunos, meus amigos que leem, então eu acho que é mais o ambiente coletivo da escola que ajuda, sabe? Estar em conjunto, estar com todo mundo.

  • Se fosse indicar uma leitura que considera indispensável, qual seria? E pra quem você indicaria?

Indispensável? Nossa… eu sei que na minha opinião pessoas numa faixa etária, dos 9 aos 12 anos, precisam ler Pedro Bandeira, na minha opinião. Porque fez muita diferença na minha vida. “A droga da obediência”, “A droga do amor”, toda essa série dos “Karas”, merecem a leitura por pessoas dessa faixa etária. Até adolescentes também, da minha idade. Não sei, qualquer pessoa poderia ler, eu acho, mas eu acho que é uma faixa etária que eu me identifiquei muito, então eu acho que é uma fase legal de ler Pedro Bandeira, pelo menos essa série dele.

Acho que Machado de Assis, até como conhecimento literário do Brasil é muito importante de ler, acho que Quincas Borba é um livro importante até por uma questão socioeconômica, na minha opinião. Eu acho que pra quem tem esse interesse, é importante fazer essa leitura, para conhecer o nosso passado…É aquela coisa: ‘conhecer o passado para não repetir no futuro e entender melhor o nosso presente’, então a gente lê Machado de Assis. E o que eu estou muito fã é da Ali Hazelwood, mas acho que um romance fofinho, clichê. Acho que todo mundo que quer um momento fofinho pode ler Ali Hazelwood e vai dar tudo certo, independente do livro que for. Acho que esses são os principais livros, no momento.

  • O que você acha que é importante para se formar enquanto leitor?

Inspiração. Acho que essa é, na minha opinião, uma das principais coisas. E até apoio. Por que eu acho que é muito difícil ser um leitor, eu acho que é uma coisa muito individual, mas eu acho muito difícil o tempo todo você ser um leitor sozinho, você não ter com quem conversar, em quem se inspirar, sabe? Pedir indicações… Eu acho que isso muda muito. Eu acho que por mais que seja uma coisa que eu goste de fazer sozinha, eu gosto de estar lá no meu canto, com uma velinha e um chá, é sempre bom ter alguém com o mesmo entusiasmo pelos livros. Acho que isso é uma coisa que não tem preço, você ter alguém com quem compartilhar. Mas acho que a questão da inspiração com certeza é muito importante. Eu só comecei a ler pela minha mãe, continuei lendo e comecei a ler novamente agora por causa de vocês, das minhas amigas, das aulas, então eu acho que a vontade de ler… Como eu falei aquela hora do sentimento, tem horas que eu tô com vontade de ler um romance, de viver um romance na imaginação porque eu entro em um mundo novo só de ler, então eu acho que essa coisa muda a formação de um leitor. Eu acho que tem que gostar de ler, mas dá para se aprender a gostar de ler se você quer ser um leitor. Você tem que achar um livro certo pra você.



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