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  • Foto do escritorGabriela Traversim

Explorando as rimas de César Obeid!

No texto desta semana, mergulharemos no fascinante universo da literatura de cordel através da obra "Desafios do Cordel", livro que os alunos do 4º ano do Ensino Fundamental estão começando a ler, escrito pelo autor brasileiro César Obeid. O cordel é um gênero bastante popular no nordeste brasileiro e compõem parte da cultura oral e escrita do nosso país!


César é um autor brasileiro reconhecido por sua versatilidade literária, explorando gêneros que vão desde a poesia até a distopia infantojuvenil. Nasceu em São Paulo, em 1974 e uma de suas paixões é a escrita. Ele escreve de tudo um pouco e hoje tem aproximadamente 40 livros publicados. Ele também gosta muito de ensinar as pessoas a escreverem, principalmente poesia e literatura. Ele também tem alguns cursos de formação no assunto

Alguns de seus livros foram premiados pela Fundação Nacional do do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e outros foram selecionados para a Feira do Livro de Bologna, na Itália. César é vegano, ou seja, ele não consome nenhum alimento, roupa ou produto que tenha origem animal. De acordo com a sua biografia, disponível no site oficial do autor, César é “um amante da natureza [..] ele encontra alegria em cozinhar refeições saudáveis e em cuidar do meio ambiente. Seu coração bate mais forte ao ar livre, onde ele gosta de correr, meditar e cultivar suas próprias plantas.”


Seu livro, escolhido para compor o currículo do 4º ano do Fundamental I , apresenta uma coletânea de cordéis que abordam temáticas variadas, desde questões sociais até contos folclóricos, revelando a riqueza e a diversidade desse gênero tão peculiar. O livro é organizado em ciclos, onde encontramos o ciclo dos recontos, o ciclo jornalístico, das biografias e o ciclo dos desafios e das pelejas. Ao final da obra, César organizou uma tabela de modalidades do cordel, com todas as posições das rimas, números de versos, sílabas poéticas e observações sobre esse gênero. Essa tabela contribui muito para observarmos e compararmos as diferentes modalidades dos cordéis. 

Entre os cordéis presentes na obra, destaca-se o primeiro "Um cordel sobre o cordel", que narra de forma poética e lúdica as características destes versos rimados. A modalidade deste cordel é uma sextilha, veja abaixo como ele é rimado!

"Um cordel sobre o cordel
Eu pretendo apresentar
È uma arte versejada
Da cultura popular
Que nasceu lá no Nordeste
para o mundo apreciar.

São as rimas de cordel
Encaixadas nas sextilhas
Nos martelos e galopes
Nas oitavas e sextilhas
Que encantam muito mais
Do que as sete maravilhas.

O cordel só é aceito
Com os versos bem rimados.
Cada verso bem medido
Todos bem metrificados.
Assim manda a tradição
Dos poetas inspirados. 

É na forma de folhetos
Que ele tem sua tradição
Porém hoje outras formas
Temos de publicação
Como livros e internet
E outras tantas que virão.

O cordel pode conter
Alguns temas atuais
Ou histórias inventadas
Ou mil causos naturais
Pois os versos do cordel
Contam isso e muito mais.

O folheto nordestino
É uma arte genial.
E a origem desse nome
Provém lá de Portugal.
Esse nome porque era
Pendurado no varal.

Pendurar os folhetinhos
Não é nossa tradição
Ora iam em barbantes
Ora em bancas ou no chão.
O barbante não foi regra 
Do poeta do sertão. 

O cordel era vendido
Lá nas feiras do Nordeste
Lá no Brejo e Cariri
No Sertão ou no Agreste.
Hoje está pelo Brasil
Desde o Norte até o Sudeste. 

O cordel vendido em feiras
Precisava entonação.
Pra história ficar boa
E chegar no coração
Corpo e voz tinham que ter
Uma grande expressão.

Pra dizer um bom cordel
Tem que ser bem inspirado
Pois ninguém aguenta ouvir
Um cordel desanimado.
Mas o verso fica lindo
Quando é bem declamado. 

Vejam só qual é a técnica
Dos poetas do Sertão
Que paravam a história
Num momento de emoção
Para o povo então comprar
Seu folheto campeão.

E assim muitos poetas
As famílias sustentaram.
Com a venda dos folhetos
Muitos lucros aumentaram. 
Porém hoje, os folhetos
Novos passos conquistaram.

O cordel hoje é presente
Lá nas feiras culturais
Faculdades e escoltas
E também outros locais. 
Todo mundo abriu as portas
Para os versos naturais."

Este cordel é uma sextilha, uma das modalidades de cordel que existem e que as estrofes são compostas por seis versos. A modalidade da sextilha é bastante usada no início de cantorias de viola e também é a mais utilizada na literatura de cordel. As rimas são alternadas; um verso rima e o próximo não. Veja o trecho destacado para perceber as rimas e onde elas são encaixadas na estrofe: 

“O cordel pode conter
Alguns temas atuais
Ou histórias inventadas
Ou mil causos naturais
Pois os versos do cordel
Contam isso e muito mais.”

O diferencial do livro “Desafios de Cordel” está  na habilidade do autor em mesclar tradição e contemporaneidade, mantendo viva a essência do cordel enquanto dialoga com os  desafios do mundo moderno. A escrita de César é divertida, é inteligente e a sua presença é cativante. Ano passado, o autor esteve no Colégio Uirapuru para apresentar suas rimas aos alunos do 4º ano, responder suas perguntas e autografar seus exemplares! Foi um encontro inesquecível, que ficou eternizado pela tinta de sua caneta e na memória das crianças.


Veja alguns dos livros escritos pelo César que estão disponíveis em nossa biblioteca:






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