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  • Maysa Rocha

Cecília Meireles: “Poesia se pode criar até numa viagem de bonde.”

Ela é professora, tradutora, escritora, pintora, jornalista e fundadora da primeira biblioteca infantil brasileira: Cecília Meireles - considerada umas das mais importantes poetas do Brasil - tem como característica principal suas obras de cunho social e intimista, foi o principal nome feminino na 2° fase do modernismo e é o tema do blog de hoje, em celebração ao seu 122º aniversário.


Cecília Meireles (1901-1964), foi criada pela avó (já que perdeu os pais muito cedo), que era poetisa e professora. Desde cedo, Cecília teve contato com a arte e com a educação, escrevendo poesias desde a infância. Lecionando desde os 16 anos, publicou seu primeiro livro aos 18 anos (1919), a obra se chama Espectros e trata-se de uma coleção de 17 sonetos principalmente simbolistas, retratando temas históricos ou religiosos. Cecília também é a principal representante feminina da 2° fase do Modernismo. Casou-se em 1922 com um artista plástico luso-brasileiro chamado Fernando Corrêa Dias, com quem teve três filhas.


Sua principal obra foi Romanceiro da Inconfidência, que faz uma releitura sobre a Inconfidência Mineira, movimento separatista que tinha como objetivo tornar Minas Gerais uma república independente e a motivação maior foram os altos impostos cobrados pelos colonos membros da elite portuguesa.

A narrativa se passa em 1789, mas a obra foi publicada em 1953, momento do Modernismo, que também é chamado de fase da destruição. O poema foi escrito em cinco partes bem definidas:

1- Ambientação;

2- Trama e frustração (morte do Príncipe D. José e Tiradentes acusado de traição);

3- A morte de Cláudio e Tiradentes;

4- Infortúnio de Gonzaga e Alvarenga;

5- Presença da Rainha D. Maria no Brasil.

A obra mostra quando Tiradentes é acusado de traição e dá nome aos inconfidentes e aos delatores. Mostra o suposto suícidio do poeta Cláudio Manuel da Costa, a morte de Tiradentes e o desterro de Tomás Antônio Gonzaga.


Ou isto ou aquilo é uma coletânea de poemas infantis publicada pela primeira vez em 1964, e ocupa um lugar de destaque na literatura infantil brasileira. Brincando com as palavras, a maioria desses poemas está na memória afetiva de gerações, como a bela bola que rola e a água da chuva e a lua e várias outras cenas que só a sensibilidade que Cecília Meireles consegue passar.


Ao analisar agudamente o poema que dá título ao livro, vemos que fala acerca da dificuldade que temos em tomar decisões e como elas se mostram obrigatórias na nossa vida. Viver é tomar decisões e escolher caminhos, e eles nem sempre são fáceis, um exemplo disso se dá no verso:

“se calça a luva e não se põe o anel
ou se põe o anel e não se calça a luva!”

Através da poesia o leitor compreende que cada escolha tem uma consequência.

Aos 9 anos Cecília teve o primeiro reconhecimento de seu talento como escritora e, ainda ganhou direto das mãos de Olavo Bilac - principal representante do parnasianismo no Brasil - na época ele era inspetor escolar do Rio de Janeiro.

A casa da moeda fez uma homenagem a Cecília em 1989, colocando seu rosto na nota de 100 Cruzados Novos, mas a moeda ficou pouco tempo em circulação - apenas 5 anos - sendo substituída pelo Plano Real, que passou a ser vigente em 1994.


Cecilia escrevia em tom melancólico e falava sobre amor, morte, solidão, religião e saudade, tal como Fernando Pessoa (e seus heterônimos), Clarice Lispector, Machado de Assis, José Saramago, Charles Baudelaire, entre outros.

A seguir teremos algumas obras que se encaixam no estilo de escrita temas da Cecília Meireles:

  • Fernando Pessoa - Livro do Desassossego (Bernardo Soares), O poeta é um fingidor (ortónimo);

  • Clarice Lispector - Água viva, Sopro de Vida;

  • Machado de Assis - O espelho, O alienista, Memórias póstumas de Brás Cubas;

  • José Saramago - O conto da ilha desconhecida, O poemas possíveis;

  • Roland Barthes - Fragmentos de um discurso amoroso;

  • Charles Baudelaire - As flores do mal.


Para concluir e entender melhor a obra de Cecília, vamos ler um de seus poemas mais conhecidos “Retrato”, foi escrito em 1939 e faz parte do livro Viagem


“Eu não tinha este rosto de hoje, Assim calmo, assim triste, assim magro, Nem estes olhos tão vazios, Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força, Tão paradas e frias e mortas; Eu não tinha este coração Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?”
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