• Cláudia "Pipoca" Marques

Revendo a forma de nos comunicarmos, olhando para o outro e para si mesmo

O livro de hoje foi escolhido pela professora Claudia Marques, conhecida carinhosamente por "Pipoca" entre alunos e professores. Educadora, formada em biologia pela USP, a professora Pipoca traz um olhar atento sobre a forma como nos comunicamos e como isso impacta de forma significativa nas relações interpessoais. Atualmente, esta leitura é altamente recomendada por especialistas da área, tendo sido indicada para diversas áreas: relacionamentos familiares e pessoais, ambientes de trabalho e educação de crianças e jovens.



Você já refletiu sobre a forma de se comunicar? E sobre as suas necessidades e os sentimentos provenientes delas? "Será que sou uma pessoa empática?"

Essas são reflexões que a leitura do livro "Comunicação não violenta", do autor Marshall Rosenberg, nos traz. Dentre as tantas contribuições dessa obra, ele nos apresenta frases importantes, como:


​​"Toda violência é a manifestação trágica de uma necessidade não atendida." Marshall Rosenberg.

A obra detalha uma nova abordagem de nos comunicarmos, visando melhorar as relações interpessoais, bem como nos conhecermos melhor. Baseado em dois grandes pilares: empatia e autenticidade, Marshall nos leva num mergulho profundo, eliminando os julgamentos e compreendendo as reais necessidades do indivíduo.

Marshall Rosenberg foi um psicólogo americano, que iniciou o processo de análise e divulgação da comunicação não violenta em 1960, atuando inicialmente em instituições públicas, visando a resolução de conflitos. Prosseguiu com as suas ideias e observações atendendo famílias e, dessa forma, desenvolvendo mais argumentos no seu método de melhoria dos relacionamentos e a cultura da paz.

A comunicação não violenta (CNV) é dividida em quatro passos, sendo eles: observação, sentimentos, necessidades e pedidos. Através desses passos, Marshall ensina a nos expressarmos honestamente e a recebermos com empatia por meio desses mesmos passos.

Fonte da imagem: Colégio Videia Jundiaí.


No passo da observação, há extrema importância em visualizarmos realmente o fato ocorrido, livre de julgamentos e conclusões acerca dele. Veja um exemplo que nos ilustra uma observação livre de julgamentos: “Cláudia está sempre chegando atrasada” poderia ser substituída por “Cláudia chegou atrasada três vezes nesta semana”.

Para evitar julgamentos, é necessário ser fiel à ocorrência do fato, sem generalizar as ações ou tirar conclusões acerca do ocorrido. Esse passo é bastante desafiador, pois no geral, costumamos tirar conclusões e focar os desafios nas ações dos outros. É natural do ser humano culpar alguém ou algo quando temos nossas necessidades não atendidas.

O passo seguinte é o reconhecimento do real sentimento acerca do acontecimento. Toda vez que temos uma de nossas necessidades atendidas ou não atendidas, gera em nós um sentimento, que devemos reconhecer e aprender a prosseguir até a resolução do processo.

"Expressar nossa vulnerabilidade pode ajudar a resolver conflitos." Marshall Rosenberg.

Importante ressaltar que os sentimentos são diferentes dos "pseudos" sentimentos, ou seja, é necessário distinguirmos como nos sentimos de como achamos que os outros reagem ou se comportam a nosso respeito.

Após o reconhecimento dos sentimentos, vem a percepção das nossas necessidades, que foram ou não atendidas e que geraram os sentimentos após os fatos ocorridos. As necessidades podem ser divididas em necessidades de bem-estar (paz), necessidades de conexão (amor) ou necessidades de auto expressão (alegria).

E, por fim, após enxergarmos os três primeiros passos, cabe a nós elaborarmos um pedido, para que possamos melhorar o desempenho das nossas relações, diminuindo as discussões, os conflitos extremos e os desentendimentos no geral.

No primeiro momento, ao conhecermos a CNV, um mundo se abre para nós. Questões como: "Como nunca soube disso?" ou "Será a solução de todos os meus problemas?". E logo após, pensamos, mas como colocar tudo isso em prática? Vou ter que treinar e decorar todas as minhas falas reações?

E, então, como professora, mãe, esposa e filha, lhes digo, há momentos em que a prática se torna fluida e sucesso através das etapas da comunicação não violenta, já em outros, nem sequer lembramos da existência dela.

Percebo que, como professora, tentativas de identificar as necessidades e os sentimentos dos alunos, se fazem necessárias. O processo, ao longo do tempo, reflexão e estudo continuado no assunto, torna-se mais claro e proveitoso. E a satisfação de resolver um conflito dentro da sala de aula, através desses passos, se torna bastante satisfatório.

Na vida pessoal, os desafios são maiores, pois o peso da responsabilidade dos filhos, por exemplo, acabam dificultando algumas etapas do processo e da identificação dos passos da CNV, mas entre erros e acertos, as relações vão amadurecendo e ganhando progressos que tornam mais leve e feliz.

Recomendo a todos a leitura dessa obra, e se possível o estudo do assunto, pois enriquece as nossas relações interpessoais e além disso, nos projeta para o nosso autoconhecimento, exercício necessário para todos nós.

A busca pela comunicação não violenta nos coloca no caminho da empatia pelo outro, e também, nos permite desenvolver a auto empatia, tão necessária para vivermos nos dias de hoje.


Outro livro de Marshall Rosenberg que explora o tema da Comunicação Não Violenta. Também disponível na biblioteca da escola para empréstimo.


Fontes bibliográficas:

Rosenberg, M. Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. Primeira Edição, 1 janeiro de 2006. Editora Agora.


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