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  • Dayan Marchini

E se as palavras fossem compradas?

Pouco, para alguns significa muito. Em "A grande fábrica de palavras", as poucas paralavras que Philéas consegue ter acesso significam muito, mas ainda assim não são suficientes para verebalizar o seu amor por Cybelle. Em uma trama doce, sutil e muito poderosa, o livro escrito por Agnès de Lestrade e ilustrado por Valeria Docampo consegue expressar, com poucas palavras, a falta que elas fariam caso não tivessemos livre acesso à esta forma de expressão.


Já imaginou um país onde as pessoas quase não falam? Um lugar onde, para gritar seu amor ou dizer sua verdade, é preciso comprar as palavras? Parece algo bastante impossível dentro da realidade, porém, na história de Agnès de Lestrade, este é um cenário real. Em “A Grande Fábrica de Palavras”, apenas os habitantes que possuem alto valor econômico conseguem falar normalmente, pois comprar uma palavra pode custar muito caro. Funciona assim: você compra a palavra que quiser, a engole e já está pronto para pronunciá-la. Há uma imensa variedade delas, assim como a própria linguagem.



Quem não tem dinheiro, às vezes acaba pegando palavras do lixo ou do próprio chão, mas elas são meio ruins; carregam muita sujeira. Também há como comprar algumas na promoção, o que não tem muita graça, pois são palavras que não servem muito. Sabe aquelas coisas que a gente nunca fala porque é específico demais ou fora de moda demais? Então… Promoção!


Ocorre que Philéas, um garoto apaixonado, precisa das palavras certas para se declarar para a doce Cybelle, que também quase nunca fala. O menino, que é pobre, possui apenas três opções: “cereja, poeira e cadeira”, enquanto Oscar, sua maior inimizade, possui todas as palavras que precisa e diz com todas as letras o quanto ama a garota. No entanto, é Philéas quem faz o coração de Cybelle bater mais forte e então ele decide falar com o que tem, e a resposta dela traz toda a delicadeza de quem diz mesmo que com a sutileza dos gestos.


Uma obra que nos provoca para a reflexão do verdadeiro valor da nossa fala, mas também sobre a preciosidade e potência da demonstração do afeto. Às vezes, as palavras podem custar caro demais dependendo do que se pronuncia; em outras, podem ser tão complexas, que mesmo dizendo de inúmeras formas, nunca será suficiente. Mas também é possível ser simples e tocar onde o tangível não alcança. Tudo dependerá do sentimento que colocamos nelas e ainda, das nossas atitudes para além delas.


E você? O que diria se precisasse comprar as palavras?

Veja o book trailer do livro aqui!



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