• Dalila Queiroz

Dobraduras de Samurais

Em comemoração ao dia das crianças, fizemos uma apresentação de teatro de sombras para os alunos do 2º e 3º anos do Ensino Fundamental I e a nossa semana no Espaço Cultural foi pra lá de animada. A história contada, foi adaptada do livro, A dobradura do samurai, de Ilan Brenman e Fernando Vilela.



O livro, conta a história de um menino chamado Mitio, filho de um famoso samurai. O pai era admirado por todos da aldeia por suas técnicas e bravura, mas o menino se encantava mesmo era quando o pai fazia dobraduras. Massao Kazuo era especialista em dobrar papel, o origami, mas para Mitio restava mesmo só observar o pai com encantamento, pois os papéis eram caros e proibidos as crianças.



Quando Mitio cresceu não quis seguir os passos do pai e se tornar um guerreiro, mas sim fazer o que mais gostava, os origamis. E ele era muito habilidoso, o melhor que já se conheceu, diziam. Todos faziam filas para ganhar uma dobradura do rapaz.


“Todos diziam as dobraduras de Mitio eram tão perfeitas que se não fossem bem guardadas poderiam se transformar em animais e objetos de verdade. Alguns chegaram a relatar terem vistos tsurus voando pela aldeia”(BRENMAN e VILELA, 2005).

Mas ao passar dos anos, o velho samurai foi ficando doente e Mitio caiu em profunda tristeza e lembrou-se da lenda dos mil grous.Dizia a lenda que o grou, ave considerada sagrada no Japão e que simboliza a vida longa, tinha o poder de realizar um desejo para quem conseguisse fazer mil tsurus.


Então, Mitio juntos com todos da aldeia começaram a fazer os tsurus e antes, as crianças que eram proibidas de lidar com papéis, tiveram sua chance de ajudá-lo a realizar essa proeza, a fim de ajudar o velho samurai. Os esforços não conseguiram ajudar o velho samurai e após sua morte, Mitio partiu pelo mundo aperfeiçoando sua técnica com um grande mestre chines.


O tempo também passou para Mitio e o mesmo teve filhos e netos. Seus netos, como ele quando criança, também eram encantados pelas dobraduras.Mas a parte que conta a morte de Mitio é a mais espantosa, triste e emocionante ao mesmo tempo.


O narrador, conta que um dia o neto entrou no quarto do avô e o encontrou deitado e imovel; estranhando, o menino puxa o que parece ser um papel envolto no avô e ao puxar esse papel, saem de seu corpo milhares de tsurus que o levam para o horizonte. E, assim, a história se encerra; Mitio se transformando naquilo que mais amava, seus tsurus, e finalmente descansando.




A história é muito linda e consegue ficar ainda mais encantadora através do teatro de sombras. Os olhos das crianças brilhavam ao ver as imagens através da cortina branca. A plateia foi constituída pelas crianças que estão em aulas presenciais e também para as que estão tendo aulas remotas. E tomamos todo cuidado possível para realizar a apresentação, mantendo distanciamento e higienização constante do ambiente, de forma segura e controlada.


Tudo foi pensado e produzido com muito carinho: música ambiente, luzes apagadas e cortina branca. A narração começa e atrás da cortina surge uma luz e bonequinhos de sombra interpretam a história lida pela narradora, ao desenrolar da história os personagens e os bonecos são trocados como num piscar de olhos.A sincronia deu vida a história.


O silêncio e a atenção dos alunos estão todos voltados para aquela apresentação. Os comentários foram super positivos e satisfatórios e como o segundo ano está estudando o efeito luz e sombra, este tiveram a oportunidade de terem suas sombras projetadas para os colegas! Foi um momento de imaginação, descobertas e também de aprendizagem!


Após a apresentação os alunos ganharam uma folha colorida para confeccionar seu próprio tsuru, o vídeo do passo a passo foi encaminhado no classroom pelas professoras.


E você gostou? Ficou curioso? Segue algumas fotos do evento:



Temos o livro disponível na biblioteca, venha conferir essa incrível história de Mitio, seu pai e seus tsurus.


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Referência:

BRENMAN, Ilan e VILELA, Fernando. A dobradura do Samurai. Companhia das Letras, 2005.