• Paula Lima

Um passeio, quatro experiências: Vozes no parque



Olá, pessoal, tudo bem com vocês? Como estão as férias? Bom, a primeira novidade é que agora vocês podem comentar em cada post do blog, ali embaixo, depois do texto! Comentem, mandem dúvidas e sugestões, contem o que estão lendo etc. Mas antes, vamos combinar: os comentários serão moderados antes da publicação e não queremos nada de ofensas, palavrões, desqualificação de qualquer pessoa, falta de respeito nem discriminação de qualquer tipo, certo? Todo mundo aqui é gente boa, afinal, né? 😉

Agora, vamos ao que interessa! O livro de que vamos falar hoje é sobre um passeio no parque (programa bom pra esse mês, hein?). Porém, esse passeio não é contado apenas por um personagem, mas por quatro: o pequeno gorila Carlos e sua mãe, e a também gorila Manchinha e o pai dela.

Em Vozes no parque, do autor britânico Anthony Browne, cada um deles conta a sua própria versão dessa ida ao parque, mostrando que cada um vivenciou a experiência de uma maneira diferente! Para criar essa alternância de pontos de vista, todos em primeira pessoa, o livro apresenta um tipo de fonte (desenho da letra) para cada narrador e também uma voz característica dele ― quer dizer, cada um tem um estilo, um jeito de contar o passeio.

Mas essa história não é só contada por palavras: as ilustrações são parte superimportante da narrativa, tipo, fundamentais! Elas são como outras “vozes”, que contam informações essenciais sobre os personagens, sobre o parque, sobre a maneira como cada um deles olha pra esse parque! Esse tipo de livro, em que as imagens não são apenas ilustrativas, mas responsáveis por contar a história também, é chamado de livro álbum. Neles, a ilustração tem o mesmo peso narrativo do texto ― se você tirasse as imagens, ia perder muita coisa importante, sabe como é?


Além disso, as ilustrações são muito bacanas ― vocês precisam ver e ler esse livro, gente! O autor, que também é o ilustrador, espalhou detalhes e surpresas muito sutis em meio aos desenhos, além de várias referências a personagens de outras histórias (até já falamos de uma delas aqui no blog) e obras de arte, é muito bonito e instigante! As imagens têm toques do surrealismo, um movimento que prezava por representar elementos absurdos e de sonhos (já viram algum quadro do DeChirico, do Magritte ou do Salvador Dalí?).

E olha só, o trabalho do Anthony Browne é tão original e criativo que ele ganhou o prêmio Hans Cristian Andersen (que é tipo o Nobel da literatura infantil) com esse livro! Mas ele também tem muitos outros prêmios e livros, publicados aqui no Brasil pela Pequena Zahar. O Vozes no parque está na biblioteca da escola, assim como O túnel e Na floresta, que, gente, vocês também têm que ler ― vale demais! Vamos falar deles aqui em outro momento, beleza?

Ah, tem outros livros dele em que os personagens são gorilas! Isso porque ele sempre foi fascinado pelo bicho. Já foi até mordido na perna por um, acreditam? Ele disse que via neles um pouco da figura do pai: “Tem, de fato, algo a ver com meu pai, muito alto, como os gorilas, que, vigorosos, podem ser agressivos numa hora e muito gentis em outros momentos”.

Pra finalizar, quem estiver muito curioso pode ver já uma versão interativa do livro aqui. É em inglês, mas dá pra acompanhar tranquilamente; dá até pra ouvir as vozes dos narradores se você clicar no botão “read story”, com o ícone de um livro. Bem legal, diz aí?


E dá pra chamar todo mundo pra ler, viu? Eu garanto que os adultos também vão curtir. Vão bastante ao parque e depois contem como foi o passeio e a leitura do livro 😊

Livro: Vozes no parque

Autor: Anthony Browne

Editora: Pequena Zahar

Páginas: 32

Ano: 2014

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